✨ Se eu pudesse...
embarque vip só até hoje
Se eu pusse morar em uma palavra, escolheria uma palavra curta, acolhedora, bem arejada, com formas aerodinâmicas. Escolheria uma palavra com três cômodos interligados., teto panorâmico, janelas amplas e alpendre bem conservado com espaço para redes. Escolheria uma palavra com localização privilegiada e vista definitiva para o mar e fácil acesso às nuvens. Escolheria uma palavra com, não apenas uma pista exclusiva para pousos e decolagens, mas também com uma pista aberta para dançar e sonhar. Se eu pusse morar em uma palavra, escolheria a palavra asa.
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Eu escrevi este texto durante uma das edições do Palavra Asa. Desde 2017, centenas de alunos embarcaram comigo neste (per)curso. Desde então, venho colecionando histórias de metamorfoses aladas.
E agora, oito anos depois de sua criação, eu tenho a alegria de te contar que vem aí uma versão inédita deste (per)curso e uma linda turma está se formando.
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Te aguardo com novas inspirações, novos exercícios e, como sempre, flores pelo caminho.
Aproveite o embarque vip só até até às 18h desta segunda, 24/02. Saiba mais aqui.
No Palavra Asa, você vai fazer um mergulho interno e usar as palavras como ponto de partida para enxergar a vida sob novos ângulos, entrar em contato com seus sentimentos, ressignificar histórias, gerar novas ideias e escrever textos mais criativos e envolventes.
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Ah, o texto do início foi inspirado na crônica a seguir:
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O morador das palavras
(por Rubens da Cunha)
E se ele pudesse morar dentro das palavras? Começou morando na palavra cavalo, gostou de sua elegância paroxítona e desacentuada, de sua quase toda leveza. Ficou morando lá pouco tempo, porque cavalo é também palavra indócil, dada a galopes, a selvagerias. Viu que não podia morar em palavras que designassem animais. Elas absorvem a personalidade dos bichos, precisava de palavra estática e menos inconstante. Resolveu morar em árvore. Os primeiros dias foram de paz, palavra boa, cheia de vogais e erres curvos. E tinha os verdes: adorava-os. Depois foi cansando, cegando-se em verde. Monotonia. A sua nova casa não ia além do significado. Sempre fixa, o máximo que conseguia de loucura era um vento esparso, acontecido nas madrugadas ou nos finais de tarde. A palavra árvore logo o entediou.
Mudou-se então para pasto. Acreditava que palavra tão curta com significado tão gigante poderia ser um espaço agradável para se viver. Resolveu ficar, mesmo com medo diante de tanto verde. Estava ainda enjoado de verdolências, e pasto não conseguia ser de outra cor. Agüentou mais que na palavra árvore. Pasto é verde, mas tem amplidão, traz em si nenhum muro. Pasto sibila liberdade. Ainda assim, não era a casa ideal. Depois de muito procurar, urbanizou-se. Nada de distâncias, larguras. Foi morar em concreto, palavra dura, porém aberta, um tanto áspera, mas em dias violentos bastante segura. E nada de verdes. Pintou as paredes internas da palavra concreto de lilás e as externas de amarelo. A razão disse-lhe que não combinava: onde já se viu? O concreto ser lilás e amarelo? Pouco ligou. Estava morando em palavras, por que precisava ser racional? Além disso, já tinha residido em árvore e pasto, os dois eram verdes conforme a razão. Agora não! Queria concreto amarelo e lilás. Foram de sonhos os primeiros meses. Só que, depois, não tinha mais paredes para pintar, despintou cada uma delas, repintou tudo de novo, invertendo as cores. Cansou disso também.
Que agonia não encontrar palavra que seja boa moradia, palavra que o comporte inteiro, sem que ele se desespere para mudar novamente. Tinha escolhido apenas palavras concretas, resolveu partir para o abstrato. Pensou em viagem: comum demais. Esteve na porta de suicidio: trágica demais. Vasculhou saudade, paixão, amor, ódio: já muito habitadas, não estavam em bom estado de conservação.
Andava ao léu, sem palavra que lhe servisse de teto, quando, surgida do nada, viu a casa de sua vida, ali, exata, fluida, inteira como sempre desejou. Não precisou alterar, consertar, desmanchar coisa qualquer, apenas abriu a porta e entrou. Vive até hoje em exílio. Está confortável. Mudar de palavra é coisa esquecida.
(Texto publicado em: "O livro dos sentimentos: contos, crônicas e poemas para jogar com as emoções". Seleção e organização: Maria Isabel Borja e Márcio Vassallo)
Provocação criativa:
Se você pudesse morar ou se transformar em uma palavra, qual seria? Que tal escrever um texto a partir dela?
Lembrete: aproveite o embarque vip e vem para minha pista para voos.
Um abraço alado para você!
Ao seu encanto,
Dani Brandão.
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Escritora, poeta, mentora, facilitadora de voos criativos, autora de “o breve livro das abreviaturas indesejáveis” e diretora de encantamento na: www.waau.com.br
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